Brilham como estrelas. Esconde o céu nos seus blue eyes, rouba a noite e a lua, pede emprestada a beleza delas e põe-nas no seu olhar. Seus olhos me fascinam. Sinto que sou uma cientista estudando cada rotação, cada explosão, cada pedaço de chão e de planeta que possa existir neles.
Penso na possível existência de vida nas suas pequenas pupilas, nas suas íris cor de azul e nas suas córneas. Percorri todos os livros atrás de olhos como os seus: não achei, não vi. Seus olhos são misteriosos. Achei Netuno e perdi horas divagando se os seus olhos clonaram a cor do planeta azul.
Vezes te pego olhando para o céu, distraído e indeciso: pensando em qual estrela irá trazer para o seu olhar. Concluo, então, que os seus olhos são brilhantes cometas enfeitados de estrelas percorrendo a Via Láctea em uma chuva de meteoros de fogo violeta. Assim, todas as galáxias se concentram em um só lugar: nos seus olhos que são a casa das estrelas.
morreu de poesia
amava uma mulata
de perfume e roupa barata
e aquilo que sentia:
o papel descrevia
a mulata o rejeitou
e o papel cheio de dor
do décimo quinto andar
sem pestanejar:
se jogou.
Por onde andamos, tomamos seu leite que escorre
Do teu cerne, de tua alma que nos recolhe
Por onde respiramos, tua atmosfera; por onde voamos, o teu espaço
Tantas gentes, marcianos - mas sem água que os molhe.
Desvendamos sua terra, oh, mãe leiteira.
Visitamos o teu luar, numa competição de gente besta
Queremos glória, glória, mas ninguém pensou na tua tristeza
Ao saber que lua não era queijo, que não era coisa de se por na cesta.
Mas, oh, mãe leiteira! São tantos os planetas, é tanta magnitude.
Há de haver mais gente santa do que nós, humanos
E eu garanto, mãe leiteria, que seus planetas abrigam gente melhor
Do que os incomunicáveis seres, mais bichos que os marcianos.
Há órbitas no teu espaço, há Sol, há Lua
Como compreendes tanta coisa, mãe leiteira?
Como pode um bicho morto viver nesse espaço frio?
Como podereis viver, como (bem) podereis viver…
Sem a nossa, sem a nossa companhia?
(20 Dias de Poesia, Dia 2: “faça uma poesia sobre a Via Láctea”)
Um amor que trai, que esculhamba a mil
Que dança pisando no pé, que rasga
O corpo do doente, a pele do gentil
Um amor que aquece, que esfria e que amordaça.
Eu nunca te falei, mas o amor é uma doença
Epidemia que alastra e não liga
Quando faz vítima atrás de vítima de vítima, eu quero uma!
O amor que me consome tal qual uma lombriga
[que dança, que dança.
O passo do amor é desconjuntado, tão feio e esquisito
Tão fora do compasso, sem ritmo ou batida
O amor é mesmo burro, um grande inseto
A fazer vítima atrás de vítima de vítima, eu quero inseticida.
Eu chamo o amor de filho da puta, de desgraçado
Com todo o ódio humano, meu caro.
Eu amo o amor, com toda a humanidade que Deus me deu;
Eu só o amo porque, como preto no perto, está claro.
(20 Dias de Poesia, Dia 1: “faça uma poesia criticando o amor”)